Fazendo-se a pessoa escrava de Jesus e consagrando-se a Ele por esta devoção, o Senhor a recompensa pela amorosa escravidão que optou.   Leave a comment

169. Sexto motivo.

Esta devoção dá a quem a pratica fielmente uma grande liberdade interior: a liberdade de filhos de Deus.

Porque fazendo-se a pessoa escrava de Jesus e consagrando-se a Ele por esta devoção, o Senhor a recompensa pela amorosa escravidão que optou:

1º – Tira da alma todo escrúpulo e temor servil que pudesse angustiá-la, escravizá-la e perturbá-la;

2º – Amplia no coração uma santa confiança em Deus, fazendo que o veja como a seu Pai;

3º – Inspira-nos um amor terno e filial.

170. Não me detenho a provar com razões esta verdade.

Contento-me em contar um fato histórico que li na Vida de Madre Inês de Jesus, religiosa dominicana do convento de Langeac Alvernia, onde morreu em odor de santidade em 1634.

Contava apenas sete anos e já padecia grandes angústias espirituais. Ouviu então uma voz que lhe disse: “Se queres ver-te livre de todas tuas angústias e ser protegida contra todos teus inimigos, faz-te quanto antes escrava de Jesus e de sua Santíssima Mãe”.

Ao regressar à sua casa, se apressou a consagrar-se inteiramente como escrava de Jesus e Maria, mesmo não conhecendo esta devoção.

Tendo encontrado depois uma corrente de ferro, a colocou no pulso e na cintura até a morte.

Fazendo isto, cessaram todas suas angústias e escrúpulo e achou tanta paz e amplidão de coração que se comprometeu a ensinar esta devoção à muitos outros, que por sua vez fizeram com ela grandes progressos.

Recordemos entre outros a Monsenhor Olier, fundador do Seminário de São Sulpício, e a muitos sacerdotes e eclesiásticos do mesmo seminário.

Apareceu-lhe um dia a Santíssima Virgem e lhe pôs ao pescoço uma corrente de ouro, em prova da alegria que lhe tinha causado ao fazer-se escravo seu e de seu Filho.

E santa Cecília que acompanhava a Santíssima Virgem, lhe disse: “Ditosos os fiéis escravos da Rainha do céu, porque gozarão da verdadeira liberdade: Servi-la, é a liberdade”.

g. Esta devoção encontra grande proveito ao próximo.

171. Sétimo motivo.

Pode mover-nos a abraçar esta prática o considerar os grandes bens que reporta a nosso próximo.

Efetivamente, com ela se exercita de maneira eminente a caridade com o próximo, porque se lhe dá, pelas mãos de Maria, o mais precioso e caro que temos, que é o valor satisfatório e impetratório de todas as boas obras, sem excetuar o menor pensamento bom nem o mais leve sofrimento.

Aceita-se que todas as satisfações adquiridas até agora e as que se adquiram até a morte, sejam empregadas segundo a vontade da Sma. Virgem, na conversão dos pecadores ou a liberartação das almas do Purgatório.

Não é isto amar perfeitamente o próximo? Não é isto pertencer ao número dos verdadeiros discípulos de Jesus, cujo distintivo é a caridade?

Não é este o meio de converter os pecadores, sem temor à vaidade, e livrar as almas do Purgatório, quase sem fazer outra coisa que que cada qual está obrigado a fazer conforme seu estado?

Por: São Luís Maria de Montfort

Publicado 22/02/2012 por euvimparaquetodostenhamvida em Deus é Meu Pai, Nosso Pai

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